O Estado de S. Paulo, Especial, 12/abr

Os desafios e as perspectivas da habitação e do mercado imobiliário no País foram temas da mesa com as participações de Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, Alberto Ajzental, professor da FGV, Nelson Baeta, secretário de Estado da Habitação, e Nelson Antônio de Souza, presidente da Caixa Econômica Federal.

Segundo Latif, a recuperação da economia brasileira tende a gerar um reflexo positivo e rápido no mercado imobiliário. A economista defendeu a necessidade de se acelerar as reformas estruturantes e de o setor discutir estas questões. “Temos que olhar as políticas de zoneamento e os planos diretores. As nossas cidades estão crescendo sem trazer bem-estar para as pessoas, com mal uso do espaço urbano e impacto terrível na mobilidade”, afirmou.

A mesa debateu ainda soluções para o déficit habitacional, hoje estimado em 6 milhões de moradias. “O público com renda familiar de 1 a 1,5 salário mínimo corresponde a 60% da demanda. Eles, infelizmente, estão fora do mercado, mas têm o mesmo direito à moradia que os demais”, disse Nelson Baeta.

Perspectivas. A Caixa Econômica Federal deve manter seu foco no setor da habitação, no qual é líder. A afirmação foi do atual presidente, Nelson Antônio de Souza, que assumiu o cargo no último dia 2. “Temos déficit imobiliário e temos demanda. Então, é preciso recursos”, disse. “Precisamos ter políticas públicas que vão de encontro a essa demanda.”

O professor da FGV Alberto Ajzental fez uma análise comparativa entre a indústria imobiliária e a automobilística. “A indústria de habitação precisa se transformar em montadora. Não pode continuar a aplicar métodos construtivos e o tipo de gestão que faz há séculos”, defendendo projetos de habitação popular com escala, diversidade de materiais e possibilidade de distribuição geográfica como solução para enfrentar o déficit nacional.